Realizada audiência pública sobre VLT no Eixo Anhanguera e suas consequências

 

Insatisfação e indignação. Esses são os sentimentos evidenciados durante a audiência pública que discutiu a implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) no Eixo Anhanguera e suas consequências, na tarde desta quinta-feira, 13, no Auditório Carlos Eurico, da Câmara Municipal de Goiânia. Compuseram a mesa, além da vereadora Tatiana Lemos, o secretário de Estado de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Goiânia (RMG), Sílvio Sousa; o secretário de Planejamento e Urbanismo de Goiânia, Lívio Luciano; o presidente da Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC), José Carlos Xavier, o Grafite; o professor Marcos Rothem, mestre em Transportes e professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás (IFG); e Mário Lúcio Sobrosa, que representou o Sistema Fecomércio/SESC/SENAC em Goiás.

Grande parte dos participantes demonstrou insatisfação com o projeto e indignação pela forma de como está sendo apresentado à sociedade. “Estamos sendo comunicados sobre um projeto que vai mexer com a vida de milhares de pessoas. A única audiência pública para elucidá-lo ocorreu sem o convite a autoridades importantes da área, como a CMTC (Câmara Metropolitana do Transporte Coletivo), por exemplo, entidades representativas do comércio e dos usuários”, afirmou a vereadora Tatiana.

“Também não foi realizada uma análise mais aprofundada sobre o melhor modal de transporte e as ações prioritárias indicadas no Plano Diretor de Goiânia”, acrescentou. “A decisão de implantar o VLT está sendo empurrada aos goianienses sem a devida discussão.”

Após a exposição da vereadora Tatiana Lemos, o secretário Sílvio Sousa apresentou o projeto VLT aos participantes juntamente com um filme. Sousa não pode ficar até o final da audiência pública porque teria um compromisso com o prefeito de Goiânia, Paulo Garcia. Deixou um representante para responder os questionamentos, que também não ficou até o término do evento.

Da esq. para a dir.: Grafite (CMTC), secretário Sílvio Sousa; vereadora Tatiana Lemos; Mário Lúcio Sobrosa (Fecomércio/SESC/SENAC); professor Marcos Rothem (IFG) - Foto: Lucielle Bernardes

O professor Marcos Rothem, professor mestre em Transportes do IFG, se manifestou contra a implantação do VLT. Ele considera este um projeto muito caro, cujo investimento nunca vai conseguir ser pago mantendo o valor da tarifa no valor atual. Segundo o professor, para fazer a manutenção – que é mais cara – sem que o estado tenha que cobrir todos os custos, a tarifa deveria ser aumentada para, no mínimo, R$ 4,00. Ele ainda ressaltou que o Eixo Anhanguera transporta atualmente até 15 mil passageiros/hora. Com o VLT, essa capacidade será reduzida para 12 mil passageiros.

Já o presidente da Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC), José Carlos Xavier, o Grafite, não crê que o VLT irá aumentar significativamente a capacidade de operação do Eixo Anhanguera. Ele acredita que o sistema BRT comporta a demanda, precisando apenas ser reestruturado e melhorado. Grafite lembrou que tradicionais problemas de infraestrutura, como os pontos de alagamento ao longo da avenida, devem ser completamente eliminados, porque, ao contrário dos ônibus, que possuem mais flexibilidade por andarem no asfalto, qualquer problema na linha férrea paralisa a operação de todo o sentido afetado, visto que os trens não conseguem realizar ultrapassagens. Na avaliação de Grafite, o Projeto VLT precisa ser melhor discutido com a população.

Mário Lúcio Sobrosa, que participou da audiência representando o Sistema Fecomércio/SESC/SENAC em Goiás, mostrou fotos e vídeos demonstrando os vários problemas com o sistema VLT, implantado na cidade de Houston, nos EUA. Segundo ele (que foi lá pessoalmente conhecer o sistema), desde quando foram instalados, os trens passaram a protagonizar muitos acidentes com veículos – nas áreas em que ele divide espaço na rua com os carros – e com os pedestres – nos calçadões. Nesses últimos, várias lojas perderam o movimento de fregueses ou fecharam as portas por causa do afastamento das pessoas, que passaram a ter medo da proximidade com os trens. Como o VLT não tem a mesma agilidade e rapidez nos casos de frenagens de emergência, colisões sérias podem ocorrer, seja quando algum veículo ou pessoa passa distraidamente na frente de um trem ou quando o sistema de controle de semáforos, que dá preferência sempre para o trem em movimento, falha.

Depois da exposição de todos os participantes que compuseram a mesa, foi aberta a palavra ao público presente. Diversos questionamentos foram feitos, porém, ficaram sem respostas, pois não havia nenhum representante do Governo do Estado para esclarecê-los. Uma nova audiência pública será marcada o mais breve possível para que o secretário Sílvio Sousa possa responder as dúvidas.

Diversos representantes de órgãos e entidades também participaram da audiência pública: CMTC; Agência Municipal do Meio Ambiente (AMMA); Secretaria da Região Metropolitana de Goiânia; Secretaria de Estado de Gestão e Planejamento; Secretaria de Estado da Indústria e Comércio; Universidade Federal de Goiás (UFG); Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás (IFG); Câmara dos Dirigentes Lojistas de Goiânia (CDL); Sistema Fecomércio, SESC/SENAC em Goiás; Federação das Indústrias do Estado de Goiás (FIEG); Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Goiás (CREA-GO); Sindicato da Indústria da Construção do Estado de Goiás (SINDUSCON); Associação Comercial Industrial e de Serviços do Estado de Goiás (ACIEG); Sindicato do Comércio Varejista do Estado de Goiás (SINDILOJAS); União Goiana dos Estudantes Secundaristas (UGES); União Estadual dos Estudantes de Goiás (UEE-GO); e outros.

O Projeto VLT

O projeto VLT prevê a substituição dos ônibus do Eixo Anhanguera, linha de BRT que atualmente liga as regiões leste e oeste da capital, por trens elétricos. Na proposta, serão 12 estações comuns e cinco terminais de integração distribuídas em quase 14 km de superfície, 800 metros subterrâneo e 450 metros em elevado. Espera-se que cerca de 240 mil passageiros utilizem o VLT diariamente em intervalos de 3 minutos de uma viagem à outra.

O custo é de R$ 1 bilhão e 300 milhões em uma parceria público-privada (PPP), assim divididos: R$ 215 milhões serão provenientes do Governo Federal, através do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Mobilidade; R$ 450 milhões do Governo do Estado; e R$ 550 milhões oriundos da iniciativa privada.

Autor:
Data: dezembro 14th, 2012
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1 Comentário
  1. D'Austria disse:

    Bom dia,
    eu gostaria de saber porque querem implantar o VLT na avenida anhanguera, sendo que o problema do transporte de pessoas em Goiânia nao esta localizado neste eixo?? O principal problema esta no eixo norte – sul. Teriam que fazer um METRÔ SUBTERRÂNEO, saindo de Aparecida de Goiânia até a estaçao rodoviaria da Capital (pelo menos) com vias proprias, e nao utilisando as vias publicas dedicadas aos carros e outros utilisadores das mesmas. Porque os goianos sempre pensam pequeno e curto???? A prefeitura acha que Goiania não vai crescer?? Olhar curto: porque nao olhar longe com perspectivas no tempo e no espaço?? Nao adianta procurar meio dia às 14horas. Você nunca o encontrara Nao adianta tentar solucionar os problemas de transporte do eixo norte-sul, colocando VLT no leste-oeste. Localise o problema la onde ele esta!! O VLT nao vai dar certo! Pensem e preparem os planos para um verdadeiro metrô de grande porte.Se precisarem de idéias, falem comigo.

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